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Professora usa monstrinhos para falar sobre emoções com as crianças

Mar 02, 2017 | Comentários

Eu estava trabalhando com uma turma de terceiro ano e percebi no primeiro dia de aula que uma aluna era muito tímida. Ela chorava muito, mas eu não sabia o motivo. Quando eu perguntei para a mãe, descobri que o pai dela tinha morrido há pouco tempo. Também tinha outra menina da sala que enfrentava a mesma situação e até apresentava problemas de indisciplina por causa disso. Como professora, eu comecei a olhar para elas de um jeito diferente e pensei que poderia fazer alguma coisa para ajudar essas crianças.

Durante um evento da Fundação Lemann, em São Paulo, eu conheci a Tonia Casarin e soube que ela tinha publicado um livro para falar de sentimentos com as crianças. Eu não conhecia a história, mas fui presenteada por ela com um exemplar do “Tenho Monstros na Barriga”. Achei super bacana e pensei que tinha tudo a ver com o que eu precisava.

O livro apresenta alguns monstrinhos para falar sobre sentimentos e depois traz um questionário para as crianças responderem. Baseada nele, eu comecei a preparar um projeto durante o recesso escolar para desenvolver com a turma após o retorno das aulas.

Aos poucos, comecei a fazer a leitura do livro com eles. Toda semana eu contava a história de dois monstrinhos e fazia uma atividade prática. Durante uma das aulas, os alunos escreveram em um cartaz o que deixava eles com raiva. Quando ficou pronto, fomos para o ginásio esportivo, e eu dei uma bola para eles. Eles tinham que jogar a bola naquilo que trazia esse sentimento. Eles extravasaram, fizeram isso muito bem e alguns até se emocionaram.

Nessa mesma aula, também fiz a pergunta sobre o que deixava eles alegres. Falamos um pouco das coisas que nos deixavam contentes e fizemos uma brincadeira de queimada com o auxílio da professora de educação física. Foi super divertido e as crianças deram muita risada.

Eu também comecei a perceber que poderia usar o livro para resolver problemas disciplinares. Fizemos uma atividade falando sobre bullying, em que os alunos tinham que contar o que deixava eles tristes. Eles tiveram a oportunidade de falar, e eu acabei descobrindo coisas que nem imaginava. Estava muito focada em duas crianças específicas, mas eu percebi que tinha muito mais problemas na sala do que eu imaginava. A maioria das crianças tinha alguma situação para lidar.

Depois que começamos a fazer esse projeto com o livro, percebi que a turma começou a se respeitar mais. Eles notaram que os colegas também tinham problemas. Os alunos passaram a cuidar mais dos outros e amadureceram muito nesse sentido.

Eu contei essa experiência para a Tonia, autora da obra, e ela decidiu presentar todos os alunos com um exemplar do livro. Como estava perto do dia das crianças, fiz uma sacola bonita e coloquei mais algumas coisas dentro.

Antes de entregar o livro, chamei os pais na escola para conversar. Contei sobre o projeto que estávamos fazendo e sugeri que eles fizessem novamente a leitura com os filhos em casa. Eles iriam responder juntos algumas perguntas e compartilhar o que deixava eles com medo, tristes ou felizes. A ideia era que eles também tivessem momentos de trocas, assim como tivemos na escola.

O projeto só acrescentou para a turma. Pedagogicamente, eu percebi que eles se mostraram mais interessados e começaram a participar mais das aulas. Lidar com os sentimentos dos alunos fez com que eles se sentissem seguros dentro daquele ambiente. Eles perceberam que alguém se interessava pelos problemas deles.

Fonte: Portal Porvir - Izabel Soares de Souza

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