“Efeito Tesoura” pressiona mensalidades escolares em 2027

Levantamento com escolas de oito estados mostra que 80,66% projetam alta entre 7% e 11%, mesmo com atrasos superiores a 5% nos pagamentos

Cerca de 80% das escolas particulares do Brasil projetam um aumento entre 7% e 11% nas mensalidades para 2027, segundo a nova pesquisa nacional da Meira Fernandes, especializada em gestão e soluções educacionais.

O levantamento foi realizado com mantenedores, diretores e gestores financeiros de escolas localizadas no Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Para Mabely Meira Fernandes, Diretora Jurídica da Meira Fernandes, o reajuste ocorre devido ao chamado “Efeito Tesoura”: de um lado, a folha salarial, as obrigações legais, os investimentos pedagógicos, a inclusão, a segurança digital e as adequações administrativas; do outro, parte da receita mensal que chega atrasada ou deixa de entrar.

“Quando olhamos apenas para o índice final da anuidade, não vemos todo o caminho percorrido até que a escola chegue aquele número. O reajuste é a última linha de uma planilha que começou a ser estudada muitos meses antes, por folha salarial com reajuste médio de 6,95% em junho, obrigações legais, educação especial, tecnologia, segurança com o Eca Digital e receitas que não entram no prazo esperado.” – Mabely Meira Fernandes, Diretora Jurídica da Meira Fernandes.

Na virada do ano, a situação tende a se intensificar ainda mais.

Com o 13º salário, férias, encargos, preparação das unidades, aquisição de materiais e outros investimentos para o início do novo ciclo letivo, mais da metade das escolas pesquisadas registraram atrasos entre 2% e 5% nos pagamentos.

“O atraso não reduz a obrigação da escola. O salário precisa ser pago integralmente, os encargos têm vencimentos, os fornecedores não esperam e o aluno precisa encontrar toda a estrutura funcionando. A instituição assume compromissos sobre 100% do orçamento, mesmo quando uma parcela importante das mensalidades ainda não entrou.” Husseine Fernandes, Sócio-Diretor da Meira Fernandes.

A pesquisa também afirma que o valor quitado pelas famílias não cobre integralmente os recursos necessários para educação especial em 86,19% das escolas pesquisadas.

Desse total, 46,96% dizem que a mensalidade efetivamente não cobre esses custos, enquanto 39,23% avaliam que ela cobre apenas parcialmente despesas como equipe especializada, treinamentos e demais recursos envolvidos no atendimento aos alunos.

“Analisada apenas sob o ponto de vista da matrícula. Em mais de oito a cada dez instituições, a mensalidade não cobre integralmente os recursos necessários para oferecer esse atendimento. Existe uma diferença entre acolher o aluno e possuir estrutura financeira para garantir, de forma contínua, todos os profissionais, treinamentos e adaptações envolvidos.”Husseine Fernandes, Sócio-Diretor da Meira Fernandes.

Na opinião dos especialistas, isso torna a disputa pela retenção de alunos cada vez mais acirrada.

Até novembro deste ano, 71,82% das instituições pretendem alcançar entre 70% e 95% de rematrículas. Já 8,84% podem fechar o período com menos de 40%.

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Levantamento mostra projeção de alta das mensalidades em 2027

Link da notícia: https://economia.ig.com.br/2026-08-14/-efeito-tesoura–pressiona-mensalidades-escolares-em-2027.html

Fonte: Portal IG – Mariana Geraidine Araújo